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29.12.11

Se façam deprecações, orações, intercessões, e acções de graças, por todos os homens


Devemos orar pelos incrédulos e por aqueles que nos perseguem

Paulo disse a Timóteo: "Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e acções de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tim. 2:1-4).

Irmãos, nós que conhecemos Deus mediante Cristo Jesus estamos em obrigação de orar pelos que ainda não conhecem a verdade, para que Deus os salve pela sua graça. O apóstolo Paulo, falando dos Judeus de nascença, disse aos santos de Roma: "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação" (Rom. 10:1); destas suas palavras se compreende claramente que Paulo tinha um desejo em seu coração, um bom desejo devemos dizer, que era o de os Judeus serem salvos. A Escritura diz que "o desejo dos justos é tão somente para o bem" (Prov. 11:23), e de facto os que foram justificados pela graça de Deus desejam o bem dos incrédulos, porque desejam que eles sejam salvos; eles têm no seu coração o mesmo desejo que tinha Paulo pelos Judeus. Mas Paulo, além de dizer que tinha este desejo, disse também que ele orava a Deus pelos Judeus para a sua salvação. Ora, os Judeus pelos quais orava Paulo eram sim aqueles Judeus que tinham "a forma da ciência e da verdade na lei" (Rom. 2:20), mas tinham também sobre os seus corações um véu que os impedia de reconhecer que Jesus de Nazaré era aquele do qual tinham falado Moisés e os profetas, isto é, o Cristo. O Evangelho, para aqueles Judeus que estavam sobre o caminho da perdição, estava encoberto porque o deus deste século lhes tinha cegado os entendimentos; Paulo, isto o sabia bem, e como ele também sabia que aquele véu seria removido de cima dos seus corações só quando eles se convertessem ao Senhor, assim ele orava ardentemente por eles para que Deus revelasse também a eles o seu Filho. Paulo, nisto, nos deixou o exemplo, para que nós também oremos pelos incrédulos, por aqueles que estão sobre o caminho da perdição, para que eles sejam libertados do poder de Satanás. O clamor que nós crentes devemos fazer chegar aos ouvidos do nosso Deus em favor dos incrédulos deve ser este: ‘Senhor, salva-os!’.

Jesus Cristo disse: "Orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mat. 5:44); mas quem são os que nos maltratam e nos perseguem? Eles são todos os que não conhecem Deus e que na sua ignorância nos ultrajam e nos fazem mal, por causa do bom nome de Jesus Cristo que é invocado sobre nós. Ora, quero dizer-vos antes de tudo que os que creram não podem não sofrer perseguições por parte dos incrédulos, porque Jesus disse: "Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós" (João 15:20), e porque Paulo disse a Timóteo que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2 Tim. 3:12). Disse anteriormente que os nossos perseguidores nos perseguem na sua ignorância, porque Jesus disse aos seus discípulos: "Vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim" (João 16:2,3); dizei-me: ‘Saulo de Tarso não perseguia porventura os santos em Jerusalém e até nas cidades estrangeiras porque não conhecia ainda nem Deus e nem o seu Filho?’ Certo, por esta razão ele encerrou nas prisões muitos dos santos e quando os matavam (pensando estar a fazer um serviço a Deus), ele dava o seu voto. Ele mesmo disse a Timóteo: "Dantes fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade" (1 Tim. 1:13), isto significa que Saulo de Tarso antes de o Senhor lhe aparecer no caminho de Damasco, era também ele um incrédulo e por isso não conhecia Deus. Ele era um Fariseu que embora fosse irrepreensível quanto à justiça que está na lei e embora fosse extremamente zeloso pela causa de Deus, era cego e sem vida porque não cria no nome do Filho de Deus; mas chegou o dia em que Aquele que o tinha separado desde o ventre de sua mãe o chamou pela sua graça e o justificou. Eu estou convencido que enquanto Saulo de Tarso era ainda um perseguidor da Igreja e um opressor, haviam os que oravam também por ele para que o Senhor o salvasse, e isto o digo por esta razão; Jesus, antes de ascender ao céu, tinha dito aos apóstolos: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mat. 28:19,20), portanto os apóstolos deviam ensinar aos crentes também a orar por aqueles que os perseguiam, e sabendo que eles o fizeram, cheguei à conclusão que os crentes que atendiam aos seus ensinamentos, obedeceram também a esta ordem do Senhor. Eis o que Paulo diz que aconteceu, quando ele se converteu ao Senhor: "Mas somente tinham ouvido dizer (a igreja da Judeia): Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim" (Gal. 1:23,24). Como podeis ver a conversão de Saulo produziu abundância de acções de graças a Deus por parte de muitos crentes; ainda hoje, quando é atendida uma oração feita a Deus por um perseguidor da Igreja o nome de Deus é glorificado pelos santos, por isso oremos pelos nossos perseguidores, para que o nome de Deus seja glorificado quando eles se converterem. Jesus Cristo orou por aqueles que o perseguiram até à morte (dando-nos assim o exemplo), de facto enquanto estava pendurado na cruz disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34); Jesus invocou o perdão de Deus sobre os que o perseguiram e o levaram à morte na sua ignorância (isto é, sem saber o que faziam). Nós, algumas vezes, somos tentados a pensar que os Judeus sabiam o que faziam contra Jesus, mas nós sabemos que não é assim, porque também Pedro confirmou o que disse Jesus, quando disse aos Judeus: "Vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida. E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos.... E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes" (Actos 3:14,15,17). Como podeis ver, sejam as palavras de Jesus como as de Pedro confirmam que os nossos inimigos nos perseguem por causa da ignorância que está neles. Nós filhos de Deus devemos orar a Deus pelos nossos inimigos que nos perseguem, para que Deus lhes deia a vida e não para que Deus os faça morrer. Alguém dirá: ‘Mas então porque é que debaixo da lei houveram homens, como Davi por exemplo, que oraram a Deus para que destruisse os seus inimigos?’; vede, debaixo da lei, vigorava o preceito que dizia: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo; isto o confirmou Jesus mesmo, quando disse aos seus discípulos: "Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo" (Mat. 5:43; Lev. 19:18), portanto não há porque nos maravilharmos se Davi, sendo contudo um homem segundo o coração de Deus, quando orava a Deus pelos seus inimigos, dizia: "Sobrevenha-lhe destruição sem o saber. Derrama sobre eles a tua indignação. Emudeçam na sepultura" (Sal. 35:8; 69:24; 31:17). Mas  agora, debaixo da graça, vigora o mandamento que diz: "Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem" (Mat. 5:44), portanto não é admissível que um filho de Deus peça a Deus a morte dos seus inimigos. Contudo, também debaixo da lei houveram homens que oraram pelos seus adversários; um destes foi Moisés. A Escritura diz que depois que tornaram ao arraial os doze espiões que Moisés tinha enviado a espiar  a terra de Canaã, os Israelitas, ouvindo dizer, os doze dela: "A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos no meio dela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos... Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós" (Num. 13:32,33,31), murmuraram contra Moisés e Arão e falaram em apedrejá-los. Quando Deus ouviu proferir aquelas murmurações disse a Moisés: "Com pestilência o (o povo de Israel) ferirei, e o destruirei... " (Num. 14:12), mas Moisés orou a Deus por aqueles incrédulos que o queriam apedrejar (conforme está escrito: "Moisés, seu escolhido, ficado perante ele na brecha, para desviar a sua indignação, a fim de os não destruir" [Sal. 106:23]); ele dirigiu esta súplica a Deus em favor do povo de Israel: "Perdoa, pois, a iniquidade deste povo, segundo a grandeza da tua benignidade; e como também perdoaste a este povo desde a terra do Egipto até aqui" (Num. 14:19), e Deus o ouviu, de facto lhe disse: "Conforme à tua palavra lhe perdoei" (Num. 14:20). O que fez Moisés nos ensina quanto é útil a oração dirigida a Deus em favor dos que nos perseguem; a gente que não conhece Deus diz: ‘Que ganharemos em orar a Deus?’, mas nós que conhecemos Deus sabemos que é útil orar a Deus também por aqueles que nos perseguem porque está escrito: "O que teme o mandamento (neste caso, aquele que diz: "Orai pelos que vos perseguem" [Mat. 5:44] será galardoado" (Prov. 13:13).