30.12.11

Os dons de ministério


Introdução

Está escrito: "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos" (Ef. 4:4-6). Irmãos no Senhor, vós sois membros do corpo de Cristo, sois membros dele desde que crestes no nome do Filho de Deus porque estando unidos ao Senhor pela vossa fé vos tornastes um só espírito com ele.

Nós todos que cremos no Senhor, formamos um único corpo, temos uma única esperança, a da glória, para a qual Deus nos chamou; temos uma mesma fé; temos um mesmo Espírito, o da adopção pelo qual clamamos: Aba! Pai!; recebemos um mesmo batismo, o ministrado por imersão na água em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; temos um único Senhor, Jesus Cristo, que Deus ressuscitou dos mortos; e temos um único Pai, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Nenhum de nós tem do que se gloriar diante de Deus, porque todos fomos salvos pela graça de Deus, e não em virtude de boas obras que tivessemos feito; "mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo" (Ef. 4:7), isso significa que cada um de nós tem o seu próprio dom de Deus e consequentemente, como temos dons diferentes uns dos outros, assim não cumprimos todos o mesmo serviço na casa de Deus.

Está escrito: "E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e doutores, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura perfeita de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo o vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef. 4:11-15). Começando a falar dos dons de ministério, é necessário dizer que "há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo" (1 Cor. 12:5), portanto os ministérios que Deus constituiu na sua igreja são diferentes uns dos outros, mas apesar de serem diferentes no que concerne à sua função, são conferidos pelo mesmo Senhor aos que são chamados por Deus ao ministério. Os ministros de Deus sabem ter recebido do Senhor dons diferentes e reconhecem também que a cada um deles a graça foi dada segundo a medida do dom de Cristo. Como podeis ver é chamada ‘a medida do dom de Cristo’, porque todo o dom de ministério é dado por Cristo Jesus conforme está escrito: "Ele... deu dons aos homens" (Ef. 4:8; Sal. 68:18); os dons de ministério descem também eles do alto porque está escrito: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto" (Tiago 1:17). Uma escola bíblica não pode conferir um ministério porque é Deus aquele que opera em nós tanto o querer como o efectuar segundo a sua boa vontade, e porque é Ele mesmo que estabelece um crente num determinado ofício e não os homens. Escuta, irmão: ‘Se tu recebeste um dom de ministério do Senhor, os outros irmãos não poderão não reconhecer a autenticidade dele e não poderão não reconhecer que Deus operou em ti para estabelecer-te seu ministro naquele ofício particular; quem o reconhecer te poderá encorajar a prosseguir pelo caminho em que tu estás, poderá dar-te bons conselhos que farás bem em seguir (se conformes a vontade de Deus para ti); poderás também aprender sãos ensinamentos por um outro ministro de Deus, mas permanece o facto de que quem opera dentro de um homem para fazê-lo perfeito em todo o bem, para que cumpra um ministério é Deus. A instrução de uma escola bíblica não é de modo nenhum indispensável e vos exorto a não considerá-la como tal; quem julga a inscrição numa escola bíblica coisa indispensável para receber um ministério de Deus e para cumpri-lo não é são na fé porque demonstra não considerar o dom de ministério sobrenatural, e nem ainda como uma capacidade que Cristo confere ao seu servo, mas como uma capacidade que se pode adquirir numa escola como qualquer outra capacidade humana, e isso é um erro. Mas então, o que leva muitos a inscreverem-se numa escola bíblica? Muitos daqueles que vão para a escola bíblica, não foram de modo nenhum chamados por Deus para cumprir um ministério, e isso é manifesto; mas está de facto que eles vão para lá na mesma, com o objectivo bem preciso de receber o diploma daquela escola. Mas porque  é que este bocado de papel, chamado diploma, é tido em tão grande consideração e tão desejado por eles? Porque no seio de toda a organização religiosa que se respeite, os títulos e os reconhecimentos dados pelos homens a outros homens (mesmo se não correspondem à verdade) têm o seu peso e a sua importância.

A obediência e a submissão aos condutores


Está escrito: "Obedecei aos vossos condutores, e sujeitai-vos a eles, porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não suspirando, porque isso não vos seria útil" (Heb. 13:17).
Deus não deixou a si mesmas as ovelhas que adquiriu com o seu sangue, mas constituiu sobre elas homens para apascentá-las; estes homens são os anciãos que são chamados também condutores, exactamente porque a sua função é a de conduzir o rebanho do Senhor. Os condutores são homens como todos nós aos quais Deus deu o poder de apascentar a sua igreja; portanto, as ovelhas devem obedecer-lhes e sujeitarem-se aeles. Eles velam pelas almas dos fiéis e se vêem que as ovelhas não prestam atenção aos seus ensinamentos e às suas exortações é inevitável que comecem a suspirar e a não cumprir mais o seu ofício com alegria. Seja bem claro que os que desobedecem aos seus condutores não fazem o que é justo diante de Deus.
Paulo, Silvano e Timóteo disseram aos santos de Tessalónica: "Rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam, e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra" (1 Tess. 5:12,13), portanto, os anciãos que governam bem, que trabalham na pregação e no ensinamento da Palavra, e que se aplicam a convencer os contradizentes e admoestam os desordenados, e que mostram claramente ter cuidado da igreja de Deus, devem ser tidos em grande estima e amados por causa daquilo que fazem em prol do rebanho do Senhor. Paulo escreveu aos Coríntios: "Vos exorto a sujeitar-vos...a todo aquele que auxilia e trabalha na obra comum" (1 Cor. 16:16) e os condutores fazem exactamente isso, trabalham na obra comum porque se dedicam ao serviço dos santos, pondo ao serviço dos crentes a autoridade e a capacidade recebida de Deus.
Sabei irmãos que os que murmuram (isto é, que falam contra) contra os que por Deus presidem sobre vós no seio do seu povo, murmuram contra Deus; e também que os que, movidos de inveja, se rebelam contra os que estão encarregues por Deus de apascentar o seu rebanho, para usurpá-los, atraiem a ira de Deus sobre eles. Durante a viagem do povo de Israel através do deserto, sucedeu que os Israelitas murmuraram contra Moisés e Arão e se levantaram também contra eles; mas antes de falar destes factos específicos, considero muito importante recordar quem eram Moisés e Arão e como foi que eles chegaram a ocupar as suas posições no seio do povo de Israel. Moisés e Arão eram dois irmãos descendentes de Levi; depois que Moisés fugiu da presença de Faraó foi habitar na terra de Midiã onde tomou por mulher uma filha de Jetro, sacerdote de Midiã. Durante a sua residência em Midiã, Moisés pastoreou o rebanho de Jetro, seu sogro.

O bispo e o diácono


Segundo o que ensina a Escritura quem deseja assumir na Igreja o ofício de bispo deseja uma boa obra porque quer fazer uma coisa justa aos olhos de Deus; mas tanto quem deseja este ofício, como também a igreja devem saber quais os requesitos que deve ter quem aspira ao ofício de bispo para ser assumido como tal. Eis de facto aquilo que diz o apóstolo Paulo a Timóteo: "Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra desejaConvém pois que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia; (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?) Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.Convém também que tenha bom testemunho dos que estão fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo" (1 Tim. 3:1-7). 
Mas em que consiste o ofício de bispo? Ele consiste em vigiar o rebanho do Senhor e em alimentá-lo. Isto se aprende pelas palavras que o apóstolo Paulo dirigiu aos anciãos da Igreja de Éfeso quando regressava a Jerusalém da viagem que o tinha levado à Asia, Macedónia e Grécia. Está escrito de facto que Paulo "de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja" (Actos 20:17) e quando estes foram e chegaram junto dele, ele dirigiu-lhes muitas palavras entre as quais também estas: "Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus..." (Actos 20:28). Por esta exortação de Paulo entende-se claramente que o bispo deve cuidar do rebanho do Senhor, vigiando-o (isto é, protegendo-o dos lobos devoradores que se introduzem no meio dele, vestidos de ovelhas), e dando-lhe o necessário alimento espiritual para que se fortifique, e que para fazer isto ele é constituído pelo Espírito Santo. A propósito destas palavras de Paulo notai que ele chamou bispos aos anciãos da igreja que ele tinha mandado chamar e reunido junto dele em Mileto, o que faz perceber que o Novo Testamento quando fala dos anciãos da igreja fala implicitamente dos bispos da igreja. O termo ancião indica a idade madura do crente que ocupa o ofício de bispo, enquanto o termo bispo indica a função do ancião que é a de vigiar o rebanho do Senhor e na realidade o termo grego traduzido com bispo é episkopos que significa ‘vigilante’. Mas vamos agora examinar uma por uma as características que deve ter aquele que aspira ao ofício de bispo na Igreja do Deus vivo.

A Igreja


O que é a Igreja

A palavra portuguesa igreja deriva do grego ekklesia que significa 'assembleia' e indica o conjunto de pessoas que foram resgatadas do presente século mau e transportadas para o reino do Filho de Deus. Naturalmente este termo indica tanto a Igreja universal que compreende os resgatados de toda a tribo, língua, povo e nação; como a Igreja local como a de uma cidade ou país que compreende os resgatados presentes só naquela cidade ou país (o que não exclui que da Igreja daquele lugar façam parte pessoas de diversas étnias e raças). A Igreja universal portanto é composta por muitas igrejas locais.
Na Escritura o termo Igreja empregue como assembleia universal é usado por exemplo nestas passagens: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…" (Mat. 16:18); "Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela …." (Ef. 5:25); "Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém. " (Ef. 3:20-21). O mesmo termo empregue ao invés como Igreja local é usado por exemplo nestas outras passagens: "Saudai também a igreja que está em sua casa" (Rom. 16:5); "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia" (2 Cor. 1:1).
Sendo este o significado da palavra 'igreja', é errado chamar 'igreja' ao local de culto. Mas reflecti: 'Como se pode chamar 'igreja' a um local de culto quando Paulo dizia para saudar a igreja que se reunia em casa de Áquila e Priscila?


Quem é a cabeça (o chefe) da Igreja

A cabeça suprema da Igreja é Cristo: o apóstolo Paulo explica claramente e de várias maneiras que a cabeça (o chefe) da Igreja, tanto no céu como na terra, é Cristo Jesus:

Ÿ Ele diz aos Efésios que Deus ressuscitou o seu Filho e o fez assentar à sua direita acima de todo o principado e autoridade e potestade e domínio, e de todo o nome que se nomeia não só neste mundo, mas também naquele que há-de vir e que Ele "sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos" (Ef. 1:22,23); e também: "Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef. 4:15), e: "Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo" (Ef. 5:23). Portanto, como a cabeça da mulher é uma só, o seu marido, assim também a cabeça da Igreja (que é a esposa do Cordeiro) é uma só, Cristo, o seu esposo, e nenhum outro.

29.12.11

O nosso bom combate


Introdução

Nós crentes em Cristo Jesus somos soldados do Senhor sobre esta terra e como soldados estamos continuamente em guerra. Nós devemos guerrear aquela que é chamada pela Escritura "a boa guerra" (1Tim. 1:18), e a devemos guerrear contra os nossos inimigos. Sim, porque nós temos inimigos que são em grande número e impiedosos; mas não me refiro aos nossos inimigos de carne e osso (que devemos amar conforme está escrito: "Amai os vossos inimigos" [Lucas 6:27]) porque o nosso combate não é contra eles. Os inimigos que nós filhos de Deus devemos enfrentar nesta guerra são seres espirituais maus cuja existência é real como são reais também as suas diabólicas maquinações contra nós crentes. Mas Deus, sabendo que nós deveriamos enfrentar esta guerra nos forneceu uma armadura; as armas são suas, mas elas não são carnais justamente porque o nosso combate não é contra a carne e o sangue, mas de qualquer modo são "poderosas em Deus para destruição das fortalezas" (2 Cor. 10:4) do inimigo.

Paulo escreveu : "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, que estão nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes" (Ef. 6:11-13).

O diabo é o nosso adversário e é o príncipe deste mundo mau que ele domina servindo-se de criaturas espirituais que estão ao seu serviço, e elas são os principados, as potestades, os dominadores deste mundo de trevas e as forças espirituais do mal que estão nos lugares celestiais. Ora, todos estes são nossos inimigos, sabei-o; eles não nos amam, não procuram de todo o nosso bem, não procuram a nossa edificação, não nos protegem, não mostram nenhuma piedade para conosco porque são impiedosos, e aquilo a que se propõem fazer é isto: querem fazer-nos negar o Senhor, para nos fazer voltar às imundas concupiscências da carne e portanto ao charco de lodo, do qual  (também eles sabem isto) Jesus Cristo nos tirou pelo seu precioso sangue. Eles, com as suas maquinações, tentam nos fazer desviar da fé e da verdade procurando manter-nos longe da irmandade, da leitura e da meditação da Palavra de Deus; procurando fazer-nos crer em alguma heresia de perdição; procurando fazer com que não oremos e que não nos santifiquemos porque eles sabem que está escrito que sem a santificação ninguém verá o Senhor; procurando que não perdoemos quem deve ser por nós perdoado; procurando fazer-nos duvidar da fidelidade de Deus; procurando fazer-nos esquecer dos pobres dentre os santos para não suprir às suas necessidades, em suma eles tentam impedir-nos tanto de conhecer a vontade de Deus como de cumpri-la. Eles são verdadeiramente nossos inimigos, porque não querem absolutamente que nós façamos o bem mas querem que façamos o mal, precisamente aquilo que nós devemos odiar conforme está escrito: "Aborrecei o mal" (Rom. 12:9). Mas quero que saibais também que todas as maquinações de Satanás e dos seus ministros não são desconhecidas de Deus porque elas estão todas diante dos seus olhos. Deus sabe como nos fazer opôr de modo eficaz às ciladas do diabo e é por isso que Ele nos deu a sua armadura e nos mandou revestirmo-nos com ela.

As autoridades superiores


A submissão às autoridades

Está escrito: "Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação..." (Rom. 13:1,2).

Irmãos, as autoridades que existem nesta nação (como também nas outras) são estabelecidas por Deus e nós nos devemos sujeitar a elas; não importa de que corrente política elas sejam, nós devemos honrá-las e mostrar-nos leais e respeitosos com elas. Pedro escreveu: "Sujeitai-vos pois a toda a ordenação humana por amor do Senhor..." (1 Ped. 2:13), isso significa que quem ama o Senhor se deve sujeitar às autoridades e não deve mostrar-se nem desleal e nem irreverente para com elas para que, o nome do Senhor que ele ama, não seja blasfemado. Paulo disse: "Dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra" (Rom. 13:7); cada autoridade ordenada por Deus deve ser honrada e temida, e pelo o que nos respeita, nós, como cidadãos desta nação, devemos honrar o Presidente da República, os deputados e os senadores, os ministros do governo, as forças da ordem, Polícia, Guarda Fiscal, e depois os juízes, os magistrados, os presidentes, os assessores e os conselheiros e qualquer outra autoridade ordenada por Deus. A autoridade manda aos cidadãos pagar tributos (taxas) e estes devem ser dados às autoridades, porque está escrito para dar "a quem tributo, tributo" (Rom. 13:7) e porque o Senhor Jesus disse: "Dai, pois, a César o que é de César" (Lucas 20:25). Além do tributo, também o imposto (como é o direito que a câmara e o Estado exigem pela introdução de certa mercadoria no seu território ou pelo seu consumo) deve ser pago às autoridades postas para arrecadá-lo. Quando Jesus começou também ele aensinar, Israel estava sob o domínio romano; o imperador era Tibério César, o governador da Judeia era Pôncio Pilatos, e o tetrarca da Galileia era Herodes  (aquele Herodes que tinha casado com a mulher de Filipe seu irmão), mas Jesus (que era Judeu quanto à carne) nunca instigou as multidões a serem rebeldes às autoridades, nunca proibiu de pagar os tributos a César (se bem que soubesse que parte dos tributos seriam empregues para o mantimento do exército romano), não comandou nenhuma facção política contra as autoridades romanas que governavam naquela época, e quando se encontrou em frente de Pôncio Pilatos e de Herodes não ousou injuriá-los e nem se mostrou irreverente para com eles, mas lhes mostrou o devido respeito; Jesus Cristo nos deixou o exemplo em todas as coisas para seguirmos as suas pisadas, portanto fazemos bem em estar sujeitos à autoridade, em honrá-las e em orar por elas para que Deus as salve, as ajude a governar com justiça e as proteja, "para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade" (1 Tim. 2:2).

Uma palavra de exortação às mulheres


Como a mulher deve vestir e comportar-se

Irmãs, vós também um dia, pela graça de Deus, crestes em nosso Senhor, obtendo assim a remissão dos vossos pecados. Deus vos chama suas filhas, porque vós também recebestes Cristo e saistes do meio dos filhos deste século e fostes acolhidas por Deus em Cristo Jesus; portanto também vós sois membros da família de Deus e juntos formamos o corpo de Cristo. Aqui, "não há macho nem fêmea" (Gal. 3:28), porque somos um em Cristo Jesus. O facto porém de em Cristo não haver macho nem fêmea não significa que vós podeis comportar-vos na casa de Deus como vos parece e agrada, mas apenas que, o facto de vós serdes mulheres não constitui uma parede divisória no meio de nós que somos crentes. Vós deveis saber que Deus nunca mostrou e não mostra ainda nenhuma acepção de pessoas, portanto não penseis que Deus vos despreza porque Eva, a primeira mulher, se deixou enganar pela serpente e caiu em transgressão, porque isso não é verdade. Nem ainda é verdade que vós na casa de Deus não servis para nada e não podeis contribuir para o progresso do Evangelho de nenhum modo, porque a Escritura testifica exactamente o oposto, portanto não metais na cabeça aqueles pensamentos nocivos e vãos que a antiga serpente procura, com a sua astúcia, fazer-vos pensar para fazer nascer em vós uma inveja amarga e fazer-vos tornar altivas e vangloriosas.

Depois de ter feito esta premissa, quero antes de tudo dizer-vos como vos deveis vestir, depois com o que não vos deveis adornar e com o que ao invés vos deveis adornar para que a doutrina de Deus seja honrada por meio de vós. Paulo escreveu a Timóteo: "Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e pudor, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras" (1 Tim. 2:9,10).

Irmãs, vós deveis vestir trajes adequados a vós que fostes santificadas em Cristo; as vestes convenientes a vós são as modestas e não as provocantes que tanto agradam às mulheres corruptas que espraiam a sua enorme altivez, portanto não ambicioneis todos aqueles trajes femininos extravagantes e custosos que servem apenas para distrair os homens que vos vêem e para vos fazer gastar dinheiro inutilmente. A moda feminina deste presente século mau faz ensoberbecer as mulheres que a seguem e as faz andar de pescoço emproado, fazendo-as observar as mulheres de baixo estado de cima para baixo; esta é uma coisa que está debaixo dos olhos de todos, por isso não vos deixeis arrastar atrás dela; sede humildes e não deis lugar àquilo que as mulheres altivas chamam ‘o orgulho de ser mulher’.

Além de serem modestas, as vossas vestes devem ser com pudor, isto é decentes; elas devem também cobrir as vossas pernas, os vossos braços, e a parte abaixo do vosso pescoço; precisamente aquelas partes que as vestes indecentes não cobrem. Isto significa que vós deveis renunciar às mini-saias, mas também às saias que chegam justo ao joelho ou pouco abaixo do joelho; eu vos exorto a usarem saias longas sem racha, não justas e sem aqueles estranhos desenhos que estampam sobre os modelos para atrair o olhar do homem sobre as que os vestem.

Pelo que respeita às vossas camisas, não sejam nem transparentes, nem justas e nem ainda decotadas. A propósito de cores, evitai usar vestidos de cores demasiado vivas e berrantes, para evitar que os homens, quando vos vejam, sejam induzidos a pousar o olhar sobre vós.

No que diz respeito aos sapatos a usar, vos digo para calçardes sapatos modestos e de não usardes aqueles sapatos de tacões altos, tão estreitos que não deixam respirar bem os vossos pés e vos provocam dores nos pés; mas não só, eles vos obrigam a caminhar de uma maneira anormal, vergonhosa e com muita mais dificuldade. Não useis também sapatos dourados ou prateados, para evitar que os vossos pés se tornem objecto dos olhares masculinos.

No que se refere às meias, vós, como convém a santas mulheres, usai as modestas e não aquelas em rede ou de outro género inventado para fazer a mulher sedutora e para provocar o olhar do homem.

Quando vos dirigis junto de uma loja para comprar uma saia ou uma camisa ou sapatos ou tecido para fazerdes as coisas por vós mesmas, tende diante dos vossos olhos a Escritura que diz: "Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes" (Rom. 12:16).